«Não tivesses tu simplicidade, como poderia / acontecer-te o que agora a noite enche de luz? / Vê, o Deus que sobre os povos em ira ardia / torna-se manso e em ti ao mundo vem Jesus. // Terias imaginado maior esse Menino?»

O programa da 9.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que esta sexta-feira, 21 de junho, debate em Fátima o tema das “Culturas Juvenis Emergentes” (inscrições ainda abertas), inclui a leitura de poemas de “A Vida de Maria”, de Rainer Maria Rilke (1875-1926).

“A Vida de Maria” foi publicada em Leipzig em junho de 1913 numa edição especial de 200 exemplares, tendo sido vendidas 70 mil cópias até à morte do autor, refere a tradutora, Maria Teresa Dias Furtado, no prefácio da edição portuguesa (Portugália).

A apresentação, que integra um dos momentos artísticos do encontro – o outro será com o cantautor Manuel Fúria – é protagonizada pelos atores Flávia Gusmão, Pedro Lacerda e Miguel Loureiro, que em dezembro de 2011 levou um recital baseado nos mesmos poemas ao Teatro Municipal S. Luiz, em Lisboa.

Na ocasião o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura entrevistou Miguel Loureiro, que começou por sublinhar o seu encantamento pela obra poética de Rilke.

Neste vídeo o encenador descreveu o que os espetadores iam ver e ouvir, explicou os motivos que o levavam a descrever esse trabalho como «ato militante» e «oração», justificou a aposta na simplicidade e fez a apologia da literalidade.

Miguel Loureiro falou também sobre a influência da religião na dramaturgia contemporânea, da ausência de temas ligados à espiritualidade contemplativa no teatro e do envolvimento da Igreja na criação teatral.

Rui Jorge Martins
© SNPC | 19.06.13