IndieLisboa 2010 destaca cinema português e tem prémio da Igreja

A programação da sétima edição do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema Independente – inclui 276 filmes, que serão exibidos de 22 de Abril a 2 de Maio em quatro salas: Cinema São Jorge, Cinema Londres, Cinema City Alvalade e, este ano pela primeira vez, na Culturgest.
A Igreja participará pela primeira vez nesta iniciativa através do Prémio “Árvore da Vida”, resultado de uma parceria do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e da Ecclesia.
A distinção, no valor de dois mil euros, será atribuída a um filme português que privilegie os valores humanos e espirituais, independentemente do seu género ou duração.
O júri será composto por Inês Gil (professora na licenciatura de Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia na Universidade Lusófona), Margarida Ataíde (crítica e júri de cinema) e P. José Tolentino Mendonça (director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura).
O festival vai aumentar o valor do prémio destinado a apoiar a distribuição de uma longa metragem de competição internacional em sala, que passará a ser de 10 mil euros.
O valor total dos galardões será de 67 mil euros, o dobro da edição passada.
O cinema português estará em destaque com a exibição de 40 filmes. A Competição Nacional incluirá 14 curtas-metragens e 5 longas.
“Fantasia Lusitana”, de João Canijo, o primeiro filme português a abrir o festival, junta-se a “Guerra Civil” de Pedro Caldas, “Traces of a Diary” de Marco Martins e André Príncipe, “Pelas Sombras” de Catarina Mourão e “Sem Companhia” de João Trabulo. “Guerra Civil” será o único filme português inserido na Competição Internacional de longas-metragens.
A secção Herói Independente vai ser este ano dedicada a Heddy Honigmann, considerada uma das maiores figuras do cinema documental no activo. Apesar de os seus trabalhos nunca terem sido exibidos comercialmente em Portugal, bastou a presença de alguns deles em festivais de cinema (como “Forever” e “El Olvido” em edições anteriores do IndieLisboa) e esporádicas exibições na televisão pública para fazer nascer este interesse também junto dos espectadores portugueses. O seu filme “Forever” foi, inclusivamente, o vencedor do Prémio do Público no IndieLisboa 2007.
Heddy Honigmann virá a Lisboa para apresentar e debater os seus filmes com o público, e também para conduzir uma masterclass sobre o seu trabalho.
O espaço Herói Independente também evocará a secção “Fórum” do Festival Internacional de Cinema de Berlim, dedicada a realizadores com visões inovadoras sobre o cinema e as suas fronteiras.
Os trabalhos presentes no IndieLisboa serão distribuídos pela Competição Internacional, Competição Nacional, Observatório (panorama sobre as obras essenciais do cinema independente contemporâneo do último ano) e Cinema Emergente (novas linguagens do cinema contemporâneo, experiências narrativas originais e novos talentos, como Ben RIvers, cineasta inglês nascido em 1972).
O programa inclui ainda as secções Pulsar do Mundo (filmes que lidam com questões relevantes da actualidade mundial), Director’s Cut (trabalhos sobre o cinema e a sua história ou filmes em que o património da sétima arte seja a principal matéria-prima), IndieMusic (documentários focados na música) e IndieJúnior. Estes espaços estão divididos em curtas e longas-metragens.
O IndieLisboa 2010 apresentará igualmente seis filmes nas Sessões Especiais.
A artista das sombras que permaneceu na sombra durante anos é agora revelada no seu espaço, na sua quietude, no seu silêncio, na sua obscuridade pelas câmaras da realizadora Catarina Mourão. A ideia de filmar Lurdes Castro não surgiu de um impulso. Foi antes um processo moroso, de longa data, que envolveu anos, quase doze, de maturação, muitas conversas e encontros com a artista. Com ela aprendeu a desacelerar, “porque é as escuras e no silêncio que se trabalha”, diz Lurdes Castro. Como os bolbos de jacinto que vão criando raízes em frascos guardados no escuro dos armários e debaixo do lava-louças. “Às vezes ponho-me a pensar como deve ser por debaixo da terra, as raízes todas, umas com as outras, aquele mundo às escuras”, comenta ela… e sorri.
Catarina Mourão não queria de todo fazer um documentário nos moldes convencionais e pedagógicos, com entrevistas a críticos de arte, etc… Queria, através das sombras, da obra artística captar uma dimensão metafísica e abstracta. “Afinal, o grande desafio do cinema é tornar visível o invisível”.
Rui Martins
© SNPC | 06.04.10







